Principais características da Educação Transpessoal – Didática Transpessoal

A educação é um dos instrumentos mais transformadores para a evolução da espécie humana quando focaliza o Ser em sua totalidade.

Nesse contexto, a Educação Transpessoal evidencia-se, segundo Vera Saldanha, num sistema que integra recursos metodológicos, conceitos e técnicas com a vivência da realidade em função dos diferentes Estados de Consciência em que o indivíduo se encontra, os quais são considerados amplamente no processo educacional transpessoal.

Na perspectiva da Abordagem Integrativa Transpessoal aplicada na educação – a Didática Transpessoal, os estados de consciência devem ser estimulados e experienciados na inteireza do ser como conhecimento vivo e fértil e a sistematização que necessariamente envolve:

• Estimular os elementos do desenvolvimento psicoespiritual (REIS) possibilitando o Eixo Experiencial através das sete etapas: Reconhecimento; Identificação; Desidentificação; Transmutação; Transformação; Elaboração e Integração.

• Favorecer a emergência do supraconsciente, o Eixo Evolutivo; 

•Envolver uma atitude relacional educando-educador-aprendiz diferenciada.

Destaca que é necessário rever toda a conceituação tradicional do

desenvolvimento humano, aprender e apreender a realidade e o saber, catalisando potenciais transpessoais para que a mente transcenda seus próprios limites usuais. Para tanto, é fundamental:

1) Treinamento – disciplina para o essencial para se treinar a mente;

2) Treinamento da atenção – cultivo da concentração para estar habilitado para dirigir a atenção pela vontade;

3) Transformação emocional – o comportamento ético e a estabilidade da

atenção favorecem a redução das emoções destrutivas, o cultivo das emoções saudáveis e o cultivo da equanimidade;

4) Motivação – o comportamento ético, a estabilidade da atenção e a

transformação emocional redirecionam a motivação para o saudável e reduzem a compulsividade. Os objetos desejados tornam-se mais sutis e internos;

5) Percepção refinada – por meio da meditação, entre outros recursos, refinamos nossa consciência, o que faz surgir a inovação de cada momento da experiência, que se apresenta mais interessante e apreciativa, assim como cultivamos a sabedoria e as capacidades intuitivas;

6) Sabedoria – a sabedoria é mais significativa que o conhecimento do ego que se sente isolado, cuja transformação floresce do desenvolvimento da percepção intuitiva, para além dos pensamentos, conceitos ou imagens de qualquer espécie em direção ao Eu ou ao Cosmos.

Os recursos transpessoais compõem a arte da transcendência, e devem ser estimulados na prática da Educação Transpessoal, pois oferecem perspectiva de autonomia, discernimento e possibilidade de manter a atentividade, ou seja, uma mente alerta, desperta e serena, além de favorecer as relações e a aplicação adequada aos conteúdos.

O que seria a aprendizagem extrínseca e aprendizagem intrínseca?

O modelo integrado de ensino inclui ambos os tipos de aprendizagem, ou seja:

  • a aprendizagem intrínseca: que seria o resultado de processos internos ao integrar estímulos internos e externos que gera o autoconhecimento;  
  • a aprendizagem extrínseca: que é aquela que advém de estímulos externos, com informações da cultura somadas ao conteúdo programático.

E ambas aprendizagem, intrínseca e extrínseca, são estimuladas com uso dos seguintes recursos: Intervenção verbal; Imaginação ativa; Reorganização simbólica; Dinâmica interativa; e Recursos auxiliares ou adjuntos: relaxamento, concentração,contemplação, meditação, entre outros.

Qual seria o  PAPEL DO EDUCADOR E A RELAÇÃO COM EDUCANDO na perspectiva transpessoal?

Há o desempenho do papel e os conteúdos necessários do Educador que seria o terceiro elemento do triângulo acima. 

Simbolicamente, o Educador é o catalisador, facilitador desse processo que conduz a um novo nascimento; o da energia que move a Teoria e a Técnica em profunda conexão com os conteúdos programáticos e desperta o saber e a criatividade do aprendiz. 

Para tal, exige-se que este Educar esteja em profunda sintonia consigo próprio, sua essência e Unidade, e com o aprendiz. É preciso que sensibilize seus próprios canais da Razão, Emoção, Sensação e Intuição (REIS) para que esse processo se dê, integrando-os e que sinta em si, na sua vida, o Eixo Experiencial e o Eixo Evolutivo.

O Educador precisa estar familiarizado com a vivência dos diferentes níveis de consciência e treinar sua mente, ampliando cada vez mais seus potenciais e, certamente, sentindo também um estado melhor em si próprio.

Com os recursos disponíveis nesta abordagem, o Educador estabelece pontes de contato com o educando, com o objetivo de despertar o que, na verdade, já existe, é inerente ao ser e é alimentado pelo Absoluto muito além da mente não treinada que vivencia somente a realidade de vigília e que leva o indivíduo à distorção de sua percepção de realidade, vendo-a de forma limitada, reduzida. A busca do “quem sou eu” traz um saber mais amplo dos recursos internos, do caminho da vida e da rede na qual o indivíduo está inserido e o educador é esse facilitador que indica a direção e caminha o caminho, ao mesmo tempo.

A didática de orientação transpessoal, em sua dinâmica, renova e integra o ser em sua totalidade pessoal e transpessoal, em seus níveis superiores e inferiores fazendo emergir os aspectos mais originais e saudáveis. O processo educacional gera o autoconhecimento, além da aprendizagem extrínseca, ou seja, o conteúdo programático.

De forma geral, a relação entre Educador e Educando, esse encontro tão próprio, poderá ser um dos elementos mais significativos na saúde mental e, quiçá, da sociedade. Um momento acolhedor também com amor, firmeza quando necessário, um encontro do saber.